Assim que pensei em escrever esse post, eu seriamente
pensei duas vezes se não seria hipocrisia da minha parte, levando em
consideração que eu sempre fui a primeira pessoa a fazer críticas negativas em
relação ao futebol. Eu não costumo gostar de futebol, e são poucos os
esportes que eu levo em consideração, essa é a verdade, mas estamos vivendo
aqui no Brasil pela primeira vez depois de anos, a Copa do Mundo, e isso não é
algo que pode-se ignorar, gostando ou não.
Não sei o que acontece com os brasileiros, mas
de repente um espírito patriota se revela dentro de cada um, desde os mais
fanáticos por futebol até os mais céticos, ficam igualmente sensibilizados ao
assistir um jogo do Brasil na Copa. Talvez porque no fundo sabemos que não é
tão fácil aceitar o fato de ver a seleção que nos representa perder, e torcemos
de corpo e alma para que o Brasil faça um bom jogo, pois afinal é o nosso país,
e aqueles jogadores no campo batalhando pela bola, por um gol, batalham por um
sonho, e ficamos novamente solidarizados por esse sonho que compartilhamos com
eles.
Porém, mesmo com as vitórias do Brasil e uma possível
esperança para o Hexa, tivemos a terrível notícia de que Neymar, com uma
vértebra faturada, não poderá competir mais nessa Copa. E ai eu pergunto: A batalha
do Brasil contra a Colômbia foi um típico jogo de futebol, ou uma luta de UFC?
A realidade é que não vale a pena abusar da violência em nenhuma ocasião, lutar
pela bola e dar o 'sangue' pela sua equipe é válido, mas isso não significa que
você precisa ver o seu adversário sofrer, o nome disso é covardia, e nada nesse
mundo que é feito baseado na covardia tem um bom fim. Não acredita nisso?
Pergunte a própria Colômbia, que após perder o jogo sentiu na pele o fato de
que se deve jogar limpo, ou nada de jogo.
Após uma série de lamentações,por parte dos jogadores
colombianos(pela derrota) e por parte dos jogadores brasileiros pela perda de
um dos seus melhores jogadores no final de uma Copa do Mundo, eu pergunto
novamente: Qual o verdadeiro valor do futebol? Uma resposta simples seria
acertar a bola no gol, mas pensando pelo lado sensível que abrange toda a
sociedade, sabemos que não é só isso: O futebol está na competição livre e
honesta, na representação de todo um mundo, que mesmo com tanta diferença
cultural se uni em prol da diversão que o esporte traz, do esforço dos
jogadores que deram tudo de si para estar ali e finalmente podemos dizer que o
futebol está dentro de cada um.
O chefe de uma grande empresa, para tudo o que está
fazendo para observar aquela bela jogada do Neymar, o Gari passa a manhã
inteira limpando as ruas, quando finalmente chega a sua casa e curti o fim de
tarde com a família, e veja só, assistindo ao mesmo jogo que o chefe da
empresa, porque esse é o futebol e esse é o Brasil, um país com alto índice de
desigualdade social, mas que o esporte deixa-nos iguais no final das contas,
pois ele tem o poder de unir as pessoas como se todos fossemos um só, dentro
das nossas diferenças e semelhanças.
A união é a verdadeira solução para todo o
individualismo que nos cerca, mas esse individualismo não pode aparecer no
futebol, por isso o brasileiro está triste, não porque estamos desesperançosos
em relação ao Hexa( não mesmo!), mas sim porque somos um povo que gosta de
justiça, e gostaríamos que nosso craque pudesse completar o seu sonho, pois ele
é um garoto rico de sonhos, como qualquer brasileiro e merecia terminar o que
começou. Agora nos resta o de sempre, torcer para a vitória brasileira e
contemplar a excelente atitude de outro craque brasileiro, David Luiz, que
recebeu o jogador colombiano 'James Rodríguez' de braços abertos para um
consolo de amigo. Consolo este que poderíamos receber com a taça do mundo após
dado o desespero brasileiro de cada dia, dentro e fora dos campos, com ou sem
Padrão Fifa.
